quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Condicionalismo"

Hoje vou falar de uma nova praga que tem assolado nossos ouvidos ultimamente.
Trata-se do uso indiscriminado dos verbos no “futuro do pretérito”, antigamente chamado de condicional.
Assim como estamos chamando de "gerundismo" o uso indiscriminado do gerúndio, o "condicionalismo" seria o uso indiscriminado do condicional.

Exemplificando:
Entramos numa loja e o vendedor pergunta:
- O que seria?
Perguntamos pelas cores de um produto e o vendedor diz:
- Eu teria nas cores amarelo e vermelho.
Perguntamos quanto custa e o vendedor:
- Este custaria cem reais.
Perguntamos se tem desconto a vista e ouvimos:
- A vista teria 5% de desconto.

Sempre que o vendedor fala isso eu fico esperando uma continuação, algo como "teria, mas foi vendido e não tenho mais".

Da onde veio essa praga do uso do condicional para tudo?

Será que as pessoas acham que falando assim vão mostrar mais respeito e educação?
Por que não usar o velho e bom presente do indicativo?

Sei que pode ser considerado correto o uso do futuro do pretérito como uma forma mais cortês de falar, mas usá-lo o tempo todo acaba sendo irritante e confuso.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Um passeio alucinado pelas ruas de Paris

Esse filme eu descobri no blog "À francesa".
Achei tão legal que resolvi copiar aqui no Agatetepê.


É um curta-metragem do diretor Claude Lelouch, o mesmo diretor do classico "Um homem e uma mulher".

C'était un rendez-vous, rodado em 1976, foi feito sem cortes, na linha "cinema verdade" e mostra uma corrida alucinada pelas ruas de Paris. Além da sempre bela Paris, podemos admirar as imprudências do motorista, que causaram muita polêmica quando o filme foi lançado.

No link http://pt.wikipedia.org/wiki/C'était_un_rendez-vous estão mais algumas informações sobre o filme e o roteiro percorrido pelo carro nas ruas de Paris.

A foto abaixo mostra o diretor ajustando a câmera montada no carro, uma Mercedes-Benz 6.9L.

Aproveitem o passeio, mas não saiam por aí dirigindo deste jeito!

E por falar em original grego

Um amigo meu conheceu um grego que comentou sobre esse negócio do sexo na Grécia e tudo mais. O grego disse mais ou menos isso:
- Na Grécia, os homens hoje já são tão liberais, tão liberais, que tem transado até com mulheres!

E por falar em Shakespeare

E por falar em Shakespeare, isso me lembra da seguinte frase de um jovem ator, falando sobre como a profissão de ator hoje é diferente de antigamente, com o adevento das novas tecnologias, e da não necessidade de ir buscar as obras em suas fontes originais:

- “Pois hoje em dia tudo é diferente. Não é mais preciso ter lido Shakespeare no original grego para sem considerado um bom ator”

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Som & Fúria

Ontem estreou na Globo, a minissérie Som & Fúria. Muito boa, como era de se esperar de qualquer projeto assinado pelo Fernando Meirelles.

Mas o que quero comentar aqui não é a minissérie, e sim o título e as idéias associadas a ele. Tem uma música que abre o primeiro disco solo do Frejat com o mesmo nome, Som e Fúria. A letra fala “a vida é cheia de som e fúria”.
“A vida é cheia de som e fúria” é também o nome de uma peça de teatro de um grupo de Curitiba baseada no livro High Fidelity (Alta Fidelidade) do Nick Hornby. Não assisti a peça, mas li que ela é mais fiel ao livro que o prório filme. (Em tempo, o livro e o filme são muito bons).

O título da peça de Curitiba, é uma alusão, a Macbeth, de William Shakespeare, que também é citada no livro de Hornby. Shakespeare também é o mote principal da minissérie. No final de Macbeth há um trecho:

"Out, out, brief candle! Life's but a walking shadow, a poor player that struts and frets his hour upon the stage and then is heard no more: it is a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing." Macbeth Quote (Act V, Scene V).

Duas traduções oficiais estão abaixo (eu não vou entrar nessa de traduzir Shakespeare:)
"Apaga vela! A vida é só uma sombra: um mau ator que grita e se debate pelo palco, depois é esquecido; é uma história que conta o idiota, toda som e fúria, sem querer dizer nada”.
"Fora! apaga-te,candeia transitória! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa."

Mas o que eu queria comentar é essa frase, “A vida é cheia de som e fúria”.

Acho que deveria ser assim, quer dizer, uma vida interessante deveria ser cheia de som e fúria. Ou pelo menos, não sejamos tão radicais, deveria ter uma boa dose de som e fúria.

Calma, tranquilidade é bom, mas um pouco de fúria, agitação, rebeldia na vida também é essencial.

E aí então fica uma saudação a todos que colocaram a fúria no seu som!
Ou som na sua fúria.
Ou fúria na sua vida.
Ou vida no seu som.
Ou som na sua vida.
Ou vida na sua fúria.

E viva os Sex Pistols!

Viva os Ramones!

Viva o Motörhead!

Viva o The Clash!

Viva o Mötley Crüe!

Viva a Legião Urbana!

Viva Iggy Pop!

Viva os Inocentes!

Viva Megadeth!

Viva Sepultura!

...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Heroin Diaries e a droga da tradução

Terminei de ler o “Heroína e Rock’n’Roll”, tradução do “Heroin Diaries” de Nikki Sixx com colaboração do jornalista musical Ian Gittins.
Nikki Sixx é o baixista e principal compositor do Mötley Crüe e o livro é composto pelos diários de Nikki do Natal de 1986 até o Natal de 1987, um ano regrado a sexo, drogas e rock’n’roll. Este período compreende o final da gravação do disco Girls,Girls,Girls e sua turnê promocional pelos EUA, Canadá e Japão. Além do visceral diário escrito há mais de 20 anos o livro traz depoimentos atuais de vários dos envolvidos na história, como os outros componentes da banda, produtores, empresários e músicos. Lendo o livro, além de conhecer o processo de afundamento de Nikki nas drogas (quantidades absurdas de heroína, cocaína e Jack Daniel's) e todas suas angústias descobrimos vários casos curiosos do louco dia-a-dia dos músicos nas turnês e detalhes da criação das músicas do Crüe.

Em resumo, é um livro obrigatório para fãs do Motlëy Crüe e muito bom para fãs de Rock em geral e para quem se interessa por relatos de adição em drogas e afins. Tem um trabalho gráfico muito bom e histórias densas e carregadas de dor, angústia e verdade.

Mas o grande problema da edição brasileira, mesmo com uma boa edição gráfica, é a péssima tradução e a falta de revisão.
O livro tem erros gritantes de revisão, como errar os nomes dos discos do Crüe, “Shout At The Devil” (trocado para “Shout and the Devil”), chamar “Lemmy, do Motörhead” de “Limmy”, tocar o sexo de um personagem de um parágrafo para o outro.
Será que ninguém lê os originais antes de imprimir?

A tradução no geral é tão ruim, que em vários trechos é preciso ler uma frase, traduzir mentalmente para o inglês para tentar buscar as palavras originais para então traduzir para o português e entender o sentido original da frase.

Mas o pior está na parte final, NOTAS, onde é apresentada a “tradução livre” dos trechos das canções e poesias reproduzidas no livro (que felizmente no corpo do livro estão no original em inglês). Aí eles se superam em tradução mal feita. E, veja só, não sou nenhum expert em inglês, mas vou citar alguns exemplos do que está no livro. Algumas traduções são tão absurdas que dá vontade de chorar:

Primeiro o trecho em inglês,
depois a tradução apresentada no livro,
depois a minha "tradução livre" que eu acho que poderia ser mais adequada:

p20
I'm a world's forgotten boy / The one who searches and destroys
Sou um garoto esquecido do mundo / Mundo que procura e destrói.
Sou um garoto esquecido pelo mundo / (Garoto) Que procura e destrói.

p70
Hollywood dream teens
Hollywood, sonho de adolescentes
Adolescentes dos sonhos de Hollywood (ou seja, algo como "adolescentes perfeitas que moram em Hollywood")

Yesterday's trash queens
O lixo dos reis antigos
Rainhas do lixo de ontem (ou seja, algo como "garotas junkies" de ontem)

Papa won't be home tonight. Found dead with his best friend's wife
O papa não irá para casa esta noite. Encontrou a morte com a melhor amiga de sua esposa.
Papai não estará em casa esta noite. Foi encontrado morto com a mulher do seu melhor amigo.

p79
dancing on a land mine
dançando na minha terra
dançando em uma mina terrestre (dançando num campo minado)

p118
But we finally made the news
Mas nós finalmente nos renovamos
Mas nós finalmente fomos notícia (no jornal)

p168
My fuel injected dreams
Minha droga injeta sonhos
Meus sonhos injetados com combustível

p285
Shoot my gun right between the sheets
Preparar minha arma bem no meio da merda
Dou um tiro (com minha arma) bem no meio dos lençóis

p345
Another freeway shooting
Outra passagem para a morte
Outro tiroteio na estrada.

Conclusão: Nikki Sixx usou muitas drogas, mas droga mesmo é a tradução da edição brasileira do Heroin Diaries.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O verdadeiro Forum da Liberdade

Está acontecendo em Porto Alegre, de 24 até 27 de junho, o 10º Fórum Internacional de Software Livre. Pelas idéias que defende, o FISL pode ser considerado o verdadeiro Fórum da Liberdade, diferente do outro forum que ocorre também em Porto Alegre e usa esse nome mas não busca tantas liberdades assim.

Mais informações em:
www.fisl.org.br