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domingo, 8 de novembro de 2009

Sociologia Barata: Rappers Marrentos X Tristes Losers

Devaneios de uma noite de domingo...
Estava vendo no "oi fashion rocks" na tv, a apresentação do Ja Rule e me veio a idéia de porque os adolescentes de hoje parecem são tão marrentos.
Esses rappers de hoje, como o Ja Rule, 50 Cent tem uma postura tão arrogante, de se achar o máximo, que é um contraste grande com a postura dos músicos e ídolos dos 80.
New Order, Smiths, Legião Urbana, U2, INXS eram low profile, tristes até.
Mesmo os arrogantes como o Prince, tinham uma postura diferente, sei lá, menos expansiva, mais outsider, mais freak.
Madonna cantava "I'm a material girl" como se fosse um personagem, não como alguém contando vantagem, falando de si mesmo.
Nem mesmo as bandas de Hard Rock posers como Mötley Crüe ou Bon Jovi tinham essa postura, de cantar "eu sou o melhor, tenho dinheiro, pego todas" por mais que fizessem isso na prática.

Acho que no fundo, todos da geração 80 se achavam uns losers.

Antes nos 70, crescemos ouvindo "you missed the starting gun" na Time do Pink Floyd.

Nos 90, Beck disse tudo, com Loser:
http://www.youtube.com/watch?v=TJN3PGqDRNg

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Heroin Diaries e a droga da tradução

Terminei de ler o “Heroína e Rock’n’Roll”, tradução do “Heroin Diaries” de Nikki Sixx com colaboração do jornalista musical Ian Gittins.
Nikki Sixx é o baixista e principal compositor do Mötley Crüe e o livro é composto pelos diários de Nikki do Natal de 1986 até o Natal de 1987, um ano regrado a sexo, drogas e rock’n’roll. Este período compreende o final da gravação do disco Girls,Girls,Girls e sua turnê promocional pelos EUA, Canadá e Japão. Além do visceral diário escrito há mais de 20 anos o livro traz depoimentos atuais de vários dos envolvidos na história, como os outros componentes da banda, produtores, empresários e músicos. Lendo o livro, além de conhecer o processo de afundamento de Nikki nas drogas (quantidades absurdas de heroína, cocaína e Jack Daniel's) e todas suas angústias descobrimos vários casos curiosos do louco dia-a-dia dos músicos nas turnês e detalhes da criação das músicas do Crüe.

Em resumo, é um livro obrigatório para fãs do Motlëy Crüe e muito bom para fãs de Rock em geral e para quem se interessa por relatos de adição em drogas e afins. Tem um trabalho gráfico muito bom e histórias densas e carregadas de dor, angústia e verdade.

Mas o grande problema da edição brasileira, mesmo com uma boa edição gráfica, é a péssima tradução e a falta de revisão.
O livro tem erros gritantes de revisão, como errar os nomes dos discos do Crüe, “Shout At The Devil” (trocado para “Shout and the Devil”), chamar “Lemmy, do Motörhead” de “Limmy”, tocar o sexo de um personagem de um parágrafo para o outro.
Será que ninguém lê os originais antes de imprimir?

A tradução no geral é tão ruim, que em vários trechos é preciso ler uma frase, traduzir mentalmente para o inglês para tentar buscar as palavras originais para então traduzir para o português e entender o sentido original da frase.

Mas o pior está na parte final, NOTAS, onde é apresentada a “tradução livre” dos trechos das canções e poesias reproduzidas no livro (que felizmente no corpo do livro estão no original em inglês). Aí eles se superam em tradução mal feita. E, veja só, não sou nenhum expert em inglês, mas vou citar alguns exemplos do que está no livro. Algumas traduções são tão absurdas que dá vontade de chorar:

Primeiro o trecho em inglês,
depois a tradução apresentada no livro,
depois a minha "tradução livre" que eu acho que poderia ser mais adequada:

p20
I'm a world's forgotten boy / The one who searches and destroys
Sou um garoto esquecido do mundo / Mundo que procura e destrói.
Sou um garoto esquecido pelo mundo / (Garoto) Que procura e destrói.

p70
Hollywood dream teens
Hollywood, sonho de adolescentes
Adolescentes dos sonhos de Hollywood (ou seja, algo como "adolescentes perfeitas que moram em Hollywood")

Yesterday's trash queens
O lixo dos reis antigos
Rainhas do lixo de ontem (ou seja, algo como "garotas junkies" de ontem)

Papa won't be home tonight. Found dead with his best friend's wife
O papa não irá para casa esta noite. Encontrou a morte com a melhor amiga de sua esposa.
Papai não estará em casa esta noite. Foi encontrado morto com a mulher do seu melhor amigo.

p79
dancing on a land mine
dançando na minha terra
dançando em uma mina terrestre (dançando num campo minado)

p118
But we finally made the news
Mas nós finalmente nos renovamos
Mas nós finalmente fomos notícia (no jornal)

p168
My fuel injected dreams
Minha droga injeta sonhos
Meus sonhos injetados com combustível

p285
Shoot my gun right between the sheets
Preparar minha arma bem no meio da merda
Dou um tiro (com minha arma) bem no meio dos lençóis

p345
Another freeway shooting
Outra passagem para a morte
Outro tiroteio na estrada.

Conclusão: Nikki Sixx usou muitas drogas, mas droga mesmo é a tradução da edição brasileira do Heroin Diaries.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Novidades no Agatetepê

Quem visita o blog frequentemente (Quem?) deve ter notado a lista de blogs que coloquei no blogroll aí do lado, abaixo do nome “Novidades do Blogomundo!”. O blogroll é uma das ferramentas do Blogger que mostra a última atualização nos blogs listados. Assim, se eu não postar nada de novo, sempre vai ter alguma novidade na barra ao lado para quem vier conferir o Agatetepê. Não é uma lista definitiva, eventualmente irei trocando os Blogs, mas é uma panorama variado e diverso de algumas coisas que me interessam. São alguns Blogs de “viagens” que contam o dia a dia na em algumas cidades da Europa (Lisboa, Berlim e Paris, para ser mais exato), um ou outro blog de política, alguns de humor, alguns de política e humor, e por aí vai.

Atualizei também a lista de links interessantes, com alguns sites legais e muito úteis, como o Trip Advisor, na minha opinião o melhor site de viagens que existe. O World Factbook da CIA é muito legal também, até para saber o que a CIA pensa, ou melhor, o que a CIA quer que a gente acredite que eles pensam, sobre qualquer país do mundo. Na verdade são inúmeras informações sobre cada país, ótimo para quem estuda a política, a economia e a história mundiais.
Junto com estes, coisas não muito úteis como os sicronismos do Pink Floyd e a história cronológica do Mötley Crüe também complementam a lista de links, só para dar um tom mais curioso nessa história.

Aproveitem, pois a internet é uma caixinha de surpresas...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Metallica, Mötley Crüe e o "Vancouver Sound"

Hoje, numa discussão dessas por aí, surgiu o tema do Metallica ter sido o rival do Mötley Crüe em popularidade e ter sido influenciado pelo som do Dr Feelgood.

O Mötley Crüe tinha o sucesso comercial que o Metallica começou a querer ter, quando pararam com aquela postura “somos músicos, não somos atores, não fazemos vídeo clipes” que foi o padrão até 1989.
Quando fizeram o clipe da “One”, participaram da festa do Grammy - que ironicamente foi vencido pelo Jethro Tull – o Metallica passou a desejar um público maior.

Isso foi o início do Black Album, que foi produzido pelo mesmo Bob Rock, que produziu o Dr. Feelgood.

Inclusive em 1989 saíram três ótimos discos com a essa sonoridade Vancouver (a cidade onde foram gravados), que depois se pode sentir aqui e ali presentes no Black Album:
- Sonic Temple, do The Cult
- Dr. Feelgood, do Mötely Crüe
- Pump, do Aerosmith

Só os dois primeiros foram produzidos pelo Bob Rock, mas os três foram gravados em Vancouver e tem uma sonoridade semelhante. Podemos chamar essa sonoridade de "Vancouver Sound" e dizer que ela infuenciou muito a sonoridade do Black Album.