Bem vindo ao agatetepê do Fernando F. Textos e ideias jogadas ao vento. Leia, pense, comente, opine...
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Som & Fúria
Mas o que quero comentar aqui não é a minissérie, e sim o título e as idéias associadas a ele. Tem uma música que abre o primeiro disco solo do Frejat com o mesmo nome, Som e Fúria. A letra fala “a vida é cheia de som e fúria”.
“A vida é cheia de som e fúria” é também o nome de uma peça de teatro de um grupo de Curitiba baseada no livro High Fidelity (Alta Fidelidade) do Nick Hornby. Não assisti a peça, mas li que ela é mais fiel ao livro que o prório filme. (Em tempo, o livro e o filme são muito bons).
O título da peça de Curitiba, é uma alusão, a Macbeth, de William Shakespeare, que também é citada no livro de Hornby. Shakespeare também é o mote principal da minissérie. No final de Macbeth há um trecho:
"Out, out, brief candle! Life's but a walking shadow, a poor player that struts and frets his hour upon the stage and then is heard no more: it is a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing." Macbeth Quote (Act V, Scene V).
Duas traduções oficiais estão abaixo (eu não vou entrar nessa de traduzir Shakespeare:)
"Apaga vela! A vida é só uma sombra: um mau ator que grita e se debate pelo palco, depois é esquecido; é uma história que conta o idiota, toda som e fúria, sem querer dizer nada”.
"Fora! apaga-te,candeia transitória! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa."
Mas o que eu queria comentar é essa frase, “A vida é cheia de som e fúria”.
Acho que deveria ser assim, quer dizer, uma vida interessante deveria ser cheia de som e fúria. Ou pelo menos, não sejamos tão radicais, deveria ter uma boa dose de som e fúria.
Calma, tranquilidade é bom, mas um pouco de fúria, agitação, rebeldia na vida também é essencial.
E aí então fica uma saudação a todos que colocaram a fúria no seu som!
Ou som na sua fúria.
Ou fúria na sua vida.
Ou vida no seu som.
Ou som na sua vida.
Ou vida na sua fúria.
E viva os Sex Pistols!
Viva os Ramones!
Viva o Motörhead!
Viva o The Clash!
Viva o Mötley Crüe!
Viva a Legião Urbana!
Viva Iggy Pop!
Viva os Inocentes!
Viva Megadeth!
Viva Sepultura!
...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Heroin Diaries e a droga da tradução
Nikki Sixx é o baixista e principal compositor do Mötley Crüe e o livro é composto pelos diários de Nikki do Natal de 1986 até o Natal de 1987, um ano regrado a sexo, drogas e rock’n’roll. Este período compreende o final da gravação do disco Girls,Girls,Girls e sua turnê promocional pelos EUA, Canadá e Japão. Além do visceral diário escrito há mais de 20 anos o livro traz depoimentos atuais de vários dos envolvidos na história, como os outros componentes da banda, produtores, empresários e músicos. Lendo o livro, além de conhecer o processo de afundamento de Nikki nas drogas (quantidades absurdas de heroína, cocaína e Jack Daniel's) e todas suas angústias descobrimos vários casos curiosos do louco dia-a-dia dos músicos nas turnês e detalhes da criação das músicas do Crüe.

Em resumo, é um livro obrigatório para fãs do Motlëy Crüe e muito bom para fãs de Rock em geral e para quem se interessa por relatos de adição em drogas e afins. Tem um trabalho gráfico muito bom e histórias densas e carregadas de dor, angústia e verdade.
Mas o grande problema da edição brasileira, mesmo com uma boa edição gráfica, é a péssima tradução e a falta de revisão.
O livro tem erros gritantes de revisão, como errar os nomes dos discos do Crüe, “Shout At The Devil” (trocado para “Shout and the Devil”), chamar “Lemmy, do Motörhead” de “Limmy”, tocar o sexo de um personagem de um parágrafo para o outro.
Será que ninguém lê os originais antes de imprimir?
A tradução no geral é tão ruim, que em vários trechos é preciso ler uma frase, traduzir mentalmente para o inglês para tentar buscar as palavras originais para então traduzir para o português e entender o sentido original da frase.
Mas o pior está na parte final, NOTAS, onde é apresentada a “tradução livre” dos trechos das canções e poesias reproduzidas no livro (que felizmente no corpo do livro estão no original em inglês). Aí eles se superam em tradução mal feita. E, veja só, não sou nenhum expert em inglês, mas vou citar alguns exemplos do que está no livro. Algumas traduções são tão absurdas que dá vontade de chorar:
Primeiro o trecho em inglês,
depois a tradução apresentada no livro,
depois a minha "tradução livre" que eu acho que poderia ser mais adequada:
p20
I'm a world's forgotten boy / The one who searches and destroys
Sou um garoto esquecido do mundo / Mundo que procura e destrói.
Sou um garoto esquecido pelo mundo / (Garoto) Que procura e destrói.
p70
Hollywood dream teens
Hollywood, sonho de adolescentes
Adolescentes dos sonhos de Hollywood (ou seja, algo como "adolescentes perfeitas que moram em Hollywood")
Yesterday's trash queens
O lixo dos reis antigos
Rainhas do lixo de ontem (ou seja, algo como "garotas junkies" de ontem)
Papa won't be home tonight. Found dead with his best friend's wife
O papa não irá para casa esta noite. Encontrou a morte com a melhor amiga de sua esposa.
Papai não estará em casa esta noite. Foi encontrado morto com a mulher do seu melhor amigo.
p79
dancing on a land mine
dançando na minha terra
dançando em uma mina terrestre (dançando num campo minado)
p118
But we finally made the news
Mas nós finalmente nos renovamos
Mas nós finalmente fomos notícia (no jornal)
p168
My fuel injected dreams
Minha droga injeta sonhos
Meus sonhos injetados com combustível
p285
Shoot my gun right between the sheets
Preparar minha arma bem no meio da merda
Dou um tiro (com minha arma) bem no meio dos lençóis
p345
Another freeway shooting
Outra passagem para a morte
Outro tiroteio na estrada.
Conclusão: Nikki Sixx usou muitas drogas, mas droga mesmo é a tradução da edição brasileira do Heroin Diaries.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Benedetti
Publicou mais de 80 livros, mas é pouco conhecido aqui no Brasil. Disponíveis por aqui, acho que só o “Primavera...” e “A Trégua”, que não li mas dizem que é muito bom. Além disso, Benedetti tem uma extensa obra de poesia e é considerado um grande poeta.
Morreu aos 88 anos, estava doente, parece que meio desanimado desde que a esposa dele morreu em 2006. Foram casados por 46 anos. É poesia até na hora de morrer...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Bauhaus X Bahuan
A Lu estava olhando o livro da Bauhaus da Taschen. A Bauhaus, para quem não sabe, foi uma escola de Arquitetura e Design na Alemanha no período entre guerras. Apesar de acabar sendo fechada pelos nazistas ela teve enorme influência no mundo da Arquitetura e Design modernos.

Nisso, um casal passa por ali, olha, olha, e a mulher tasca:
- Olha lá, que legal o livro do Bahuan!”

Alguém por favor me diga o que o Bahuan tem de importante para ter um livro?
(Também não duvido que daqui a pouco a Globomarcas não lance um "Bahuan Archiv" com os principais expoentes do design indiano-projac!!!)
Isso mostra a poder da televisão e a confusão que ela faz na cabeça das pessoas! A criatividade e a estupidez nunca terão limites.
Pra quem quiser aprender alguma coisa, além do que passa na novela, mais informações sobre a Bauhaus, em português:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus
quinta-feira, 30 de abril de 2009
PRIMAVERA CON UNA ESQUINA ROTA
Li a versão em espanhol. Não sei como ficou a tradução, a julgar pela tradução do título não parece que foi muito feliz. Principalmente que o livro tem várias nuances de linguagem.
Cada capítulo é escrito por um personagem diferente, alternadamente: Santiago, o personagem “principal” que está preso pela ditadura uruguaia. Graciela, mulher de Santiago, vivendo no exílio na Espanha. Beatriz, a filha de seis anos, que escreve como alguém de seis anos, criando os capítulos mais divertidos do livro. Além destes, “escrevem” o pai de Santiago, um amigo que também está no exílio e o próprio autor, Mário Benedetti, contando alguns casos pessoais relacionados com o tema do exílio.
Essa fórmula, cada capítulo escrito por “uma pessoa” diferente, é muito interessante e faz com que cada capítulo possa ser lido isoladamente.
Bom, o livro é muito bom, e fica aí a dica de uma boa leitura. Ler no original com certeza é melhor, mas o lançamento da versão brasileira dá acesso e visibilidade maior a esta grande obra.
OBS: Li uns capítulos do livro traduzido em uma livraria. A tradução é boa, vale a pena ler para conhecer a história que é muito interessante. Estou com um "trauma" de traduções mal feitas, que vou comentar em breve...